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Hérnia de Disco em Cães

Por Dra Juliana
Idealizadora

Vamos entender a doença, os sintomas e o caminho para a recuperação?

Ver o seu melhor amigo de quatro patas com dor, com dificuldades para andar ou de repente perdendo o movimento das patas é uma das experiências mais angustiantes para um tutor.

Na neurologia e na fisiatria veterinária, um dos diagnósticos mais frequentes por trás desses sintomas é a Doença do Disco Intervertebral (DDIV), popularmente conhecida como hérnia de disco.

Embora o nome assuste, a ciência veterinária evoluiu drasticamente nos últimos anos. Hoje, combinando diagnósticos precisos a tratamentos integrativos, podemos devolver a qualidade de vida e o bem-estar ao seu pet.

Neste artigo, vamos explicar de forma simples o que acontece na coluna do cão, como identificar os sinais e quais são os caminhos de tratamento.

Disco Normal
Hérnia de Disco

O que é a doença do disco intervertebral (DDIV)?

 

A coluna vertebral dos cães é sustentada por discos intervertebrais. Estes funcionam como amortecedores que unem as vértebras, protegem a medula espinhal e permitem que o animal faça movimentos em várias direções com flexibilidade.

O disco possui quatro regiões principais, incluindo o núcleo pulposo (um centro gelatinoso com alto teor de água) e o anel fibroso (uma estrutura externa de cartilagem).

A doença ocorre devido a um processo de envelhecimento e degeneração dessas estruturas. Quando o disco falha e o seu conteúdo se desloca além dos limites normais, invadindo o canal vertebral, ocorre a chamada herniação. Essa deslocação comprime a medula e as raízes nervosas, gerando inflamação e dor.

 

Temos duas formas tradicionais de herniação:

 

  1. Extrusão de Disco (Associada ao termo Hansen Tipo I): É o deslocamento agudo do conteúdo interno do disco (o núcleo pulposo) através do rompimento do anel fibroso.

  2. Protrusão de Disco (Associada ao termo Hansen Tipo II): É um deslocamento gradual, crônico e progressivo do próprio anel fibroso espessado para dentro do canal vertebral.

 

As raças mais afetadas:

 

A ciência demonstrou que a genética dita o ritmo de desgaste destes amortecedores. A degeneração ocorre de forma muito distinta conforme a conformação física do cão:

  • Raças Condrodistróficas (Cães de pernas curtas e coluna alongada): Raças como Dachshund (teckel), Buldogue Francês, Pequinês, Beagle, Basset Hound, Cocker Spaniel e Welsh Corgi têm uma forte predisposição para a extrusão (Tipo I). Descobriu-se que estes animais carregam uma inserção genética específica (um retrogene chamado FGF4 no cromossomo 12) que acelera a desidratação e a degeneeração precoce dos discos, que podem transformar-se em cartilagem densa e rígida logo no primeiro ano de vida. No Dachshund, este risco de degeneração atinge o pico entre os 24 e 27 meses de idade.

  • Raças Não Condrodistróficas: Cães de raças grandes (como o Pastor Alemão, Labrador ou Rottweiler) tendem a sofrer da forma crônica (protrusão/Tipo II), associada a uma maturação mais tardia e progressiva das fibras de colágeno, surgindo geralmente após os 7 anos de idade.

     

Primeiros sintomas: Sinais de Alerta

 

Os sintomas clínicos variam de acordo com a localização da lesão ao longo da coluna e com o nível de compressão na medula. O tutor deve estar atento a:

 

  • Desconforto ou dor leve: O animal demonstra dor ao ser manipulado, fica relutante em mover-se ou brincar.

  • Alterações Posturais: Costas arqueadas e pescoço rígido ou baixo.

  • Incoordenação Motora: Caminhar cambaleante, fraqueza, unhas arrastando (maior desgaste) ou andar com dificuldade.

  • Paralisia: Perda de movimentos nos membros afetados e, em cenários extremos, perda da perceção de dor.

     

Diagnóstico

 

Historicamente utilizavam-se radiografias simples ou mielografias, mas o consenso científico atual estabelece que o diagnóstico e a localização exata da doença devem ser realizados por tecnologias de imagem avançada: a Tomografia Computadorizada (TC) ou a Ressonância Magnética (RM), sendo a RM altamente vantajosa por permitir avaliar diretamente a saúde dos tecidos moles, como a medula espinhal e os discos.

 

Opções de tratamento: Cirúrgico ou Conservativo

 

A tomada de decisão médica baseia-se na gravidade dos sinais clínicos e no tipo de lesão.

 

1. Tratamento Cirúrgico

A cirurgia (descompressão medular) torna-se mandatória especialmente em casos de extrusão aguda com perda significativa de funções neurológicas, paralisias progressivas ou dores que não cedem à medicação tradicional, com o intuito de remover fisicamente o material que comprime a medula.

 

2. Tratamento Conservativo (Médico e Fisiátrico)

É o tratamento não invasivo, indicado para quadros clínicos mais leves (onde a dor é controlada e não há perda grave de movimentos) ou para condições específicas de compressão hidratada (como a HNPE — Extrusão de Núcleo Pulposo Hidratado), em que o material herniado tende a dissipar-se e a ser absorvido pelo próprio corpo com o tempo. Baseia-se no repouso, controle com medicação e terapias físicas de reabilitação, acupuntura e terapias integrativas.

O papel fundamental da Reabilitação Física, Funcional e Integrativa

 

Independentemente de o paciente seguir para cirurgia ou para o tratamento conservativo, as terapias de suporte físico e biológico são aliadas diretas na recuperação neurológica do cão:

 
  • Fisioterapia:

    Atua reativando a sinalização química celular, reduzindo a dor, combatendo a atrofia e auxiliando o sistema nervoso a restabelecer os circuitos de movimento. Para isso, nossas fisiatras dispõe de um arsenal personalizado que pode incluir:

Cinesioterapia: Exercícios terapêuticos direcionados para ganho de estabilidade, força muscular, propriocepção e reeducação das funções motoras.

Hidroterapia: O uso da esteira aquática que aproveita as propriedades físicas da água (como a flutuação) para reduzir o impacto nas articulações e na coluna, permitindo que o cão treine a marcha e fortaleça os músculos com segurança.

Laserterapia: Fotobiomodulação que acelera a cicatrização tecidual, reduz o edema medular e atua como um potente analgésico local.

Eletroterapia (TENS e NMES): Utilização de correntes elétricas específicas. A TENS é focada no bloqueio e controle da dor aguda ou crônica, enquanto a NMES atua diretamente no estímulo neuro-muscular para prevenir ou reverter a atrofia por desuso.

PEMF (Campos Eletromagnéticos Pulsados): A magnetoterapia é uma tecnologia não invasiva que auxilia na redução da inflamação da medula, melhora o metabolismo celular e potencializa a consolidação tecidual profunda.

Terapia Manual: Manipulações precisas para aliviar as contraturas musculares compensatórias, melhorar a flexibilidade dos tecidos moles e promover o conforto físico imediato do paciente.

Outros Recursos Clínicos: Conforme a evolução de cada caso, a fisiatra avalia e inclui ferramentas complementares que julgue eficientes para a otimização do quadro.

  • Acupuntura: Ao atuar diretamente sobre os estímulos nervosos e o sistema nervoso autônomo, a acupuntura é um recurso excelente na reabilitação de pacientes neurológicos. Ao promover a melhoria da microcirculação local e de meridianos, potencializa o processo biológico de recuperação tecidual.

     
  • Ozonioterapia: O uso do ozônio medicinal atua no controlo da resposta inflamatória e na redução do estresse oxidativo local. Isso traduz-se em alívio clínico e maior conforto, otimizando as defesas do organismo e permitindo reduzir a sobrecarga de fármacos anti-inflamatórios sistémicos.

 
  • A Microfisioterapia (TME): Quando um disco vertebral sofre uma extrusão ou protrusão, o impacto gera uma sobrecarga traumática no tecido nervoso. Mesmo após a estabilização da crise ou da cirurgia, o corpo do animal retém “memórias teciduais” desse estresse biológico. Através do toque sutil, a Microfisioterapia identifica esses bloqueios e estimula o Sistema Nervoso Autônomo a iniciar a autorregulação, permitindo que o corpo reaja melhor aos outros tratamentos.


Raciocínio Clínico

 

Uma comunicação clara entre profissionais e tutores é o pilar para o sucesso do bem-estar animal. Tratar uma patologia na coluna exige a união de um diagnóstico preciso a um olhar atento ao histórico e à rotina do paciente.

 

Aqui na AnimaCare, aplicamos o raciocínio clínico para desenhar protocolos específicos que integram estas abordagens médicas ao acolhimento da família multiespécie, garantindo que o seu amigo recupere a funcionalidade, o conforto e a autonomia para viver com qualidade.

 

Se notar qualquer sinal de dor ou fraqueza nas patas do seu cão, lembre-se que o tempo é um fator crucial na recuperação do tecido nervoso.

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